O dia da quase morte do Sentimento. PARTE I O Sentimento decide caminhar... Sozinho, passos sem pressa, ele desce pequenas montanhas e caminha à margem de um longo e sinuoso rio. Nisto o rio pergunta o que ele queria com este olhar sem fronteiras e de tristeza. O Sentimento prontamente responde que o seu olhar tinha um destino, mas não tem tristeza. Mas a esperança em conhecer a Flor do Campo, o seu sonho de todas as noites. Ao ouvir este desejo que veio acompanhado de um profundo suspiro, o rio volta a perguntar: - Você está percebendo o meu caminhar? - Sim, estou – responde o Sentimento. - Pois é... Eu faço o meu próprio leito. E sempre supero os obstáculos até chegar ao meu destino - o oceano. O Sentimento ouve num burburinho a sabedoria do rio, suave o suficiente para refletir com profundidade o que lhe é dito. Assim, continua com mais motivação o seu caminho, decidido a superar qualquer obstáculo. Logo que chega ao pé de uma montanha, avista um pequeno jardim. Procura sentir o ambiente, e pensa. Será que aqui mora alguém feliz? - Olá! Tem alguém feliz aqui? Com jeito delicado, balançando ao vento, o olhar é curioso para ver o visitante. Logo alguém mostra um balançar diferente das demais flores. É a Flor do Campo! Linda para qualquer sentimento. - Você é a...? - Sim? Sou a Flor do Campo... E você, quem é? - Pode me chamar de Sentimento. Vim de longe para conhecer as suas virtudes. E a sua fama já está além das fronteiras de todos os reinos. Você é a única flor de todos os reinos que canta divinamente para as crianças da aldeia todas as manhãs. Você é a única flor que também conversa com a alma infantil! Eis aí algumas das suas virtudes. - Quem bom!... Mas... Veio de tão longe! O que você quer de mim? Posso saber? Ele responde, com o coração batendo forte e, por isso diz o que primeiro vem à cabeça. - Gostaria de saber se, com as suas inigualáveis virtudes... Você é feliz? PARTE II Ao ouvir isto a Flor do Campo se silencia por quatro longos dias. A indiferença foi a sua resposta. Percebendo esta indiferença, o Sentimento se entristece, mas espera pacientemente a doce voz da Flor do Campo. Quando chega o quinto dia, aquele conhecido aroma de flor retorna. E sem se inquietar com a longa espera do Sentimento, a Flor do Campo pergunta: - Oiêêê!... Você ainda está aí? Não acredito! O Sentimento evita alguma resposta. - Hummm... Bom... Vou tentar ser boazinha com você, então. Quer ser meu amigo? Com o olhar longe, como quem joga no vazio o pensamento, o Sentimento resiste em responder. A Flor do Campo continua. - Mas... Afinal, o que você quer de mim? Não posso te oferecer nada. E mesmo se eu pudesse, a forte cerca do jardim me impede de sair. Sou prisioneira dentro deste espaço e... Antes de terminar a frase, o Sentimento a interrompe: - A cerca? Sim, a cerca!... É ela quem impede você perceber a dimensão da minha existência? - A dimensão do Sentimento? Tolinho... Isto é importante também, mas só isto é pura ilusão! Estou aqui prisioneira, mas pelo menos eu tenho aqui segurança, conforto... - Sim! Claro que sim! Sentimento com segurança, conforto, estabilidade... Tudo tem seu valor. Não discuto estas opções. E eu respeito as suas escolhas. Na forma não tão delicada para uma flor, ela decide o final do diálogo. - Então, já que chegamos a uma conclusão, o melhor é o adeus. - Espere!... Fique mais um pouco... Eu preciso de... - Ah!... Eu sabia que você tinha algum interesse comigo. Huummmm!... Lá vem!... - Flor do Campo, cante! A sua voz faz o meu sol ter mais brilho e a lua ilumina em mim seus mistérios. Venha para mim e fale algo! Somente a sua voz conhece o diálogo de dentro de mim, mesmo no silêncio da minha voz. - Mas... Mas... E a cerca? PARTE III - As virtudes abrem caminhos para a superação dos seus próprios limites. Então... Fale!... Fale a sua verdade como um oásis em pleno deserto que mata a própria sede. Cante!... Faça a sua melodia movimentar as asas da forte águia e da frágil borboleta! Cante!... Cante como o som do mar, no vai e vem acariciando a praia que sempre a espera. Cante!... Cante no ritmo do seu coração! Fale!... Fale e desequilibre a razão que, desequilibrada, porém é amparada pelo canto da paixão. Fale! Cante!... A dimensão da vida está nas virtudes. Afinal, quem colocará a cerca na virtude? Quem ousará impedir a liberdade do seu balançar? Somente os vazios cercam por que já são limitados em si mesmos. Mas, o ser pura virtude tem no infinito o seu horizonte. O Sentimento afasta-se dela a certa distância lentamente. A Flor do Campo pergunta: - Sentimento! - Sim? - Você vai embora? - Talvez, sim... Talvez, não... A sua canção é o meu alimento. Manter-me-ei vivo somente enquanto ouvir a sua doce voz. Nisto a Flor do Campo cessa o seu aroma para o Sentimento. Os dias se passam. A Flor do Campo também se silenciou. Dias e noites o Sentimento deitado na relva úmida, permanece imóvel como quem sem vida. Não mostra nenhum sorriso, nenhum olhar e até o seu respirar dá sinais de morte. É a morte do sentimento...? Antes do forte inverno, um casal de velhinhos se aproxima do Sentimento que tentam reanimar o seu coração. Massageando, fazem uma, duas, três tentativas. O coração do Sentimento parece não querer voltar à vida. Um olha para ao outro e mais tentativas de reanimação. Logo depois de muito esforço, o Sentimento faz um movimento com a boca e dá um leve suspiro. Abre os olhos lentamente e vê o casal que acaba de salvar a sua vida. - Quem são vocês? - Eu sou a Razão. E este é o meu marido. Pode chamá-lo de Bom Senso. - Ah!... Obrigado pelo que fizeram por mim. Acho que ia morrer. Se já não estava morto. PARTE IV - Bom. Agora você vai seguir o seu caminho, refletindo sobre tudo que aconteceu, e procurando novos horizontes para a sua bela vida – ponderou o Bom Senso. - Vocês sabem o que aconteceu? Eu ia morrendo por um amor não correspondido. Já não via mais luz, nem havia esperança em minha alma... - Não se esforce tanto pra falar agora. Já sabemos de tudo – interferiu a Razão. - Sabem? - Sim – continuou – acompanhamos tudo. Você não percebeu, mas sempre estivemos perto de você. Acariciando o coração do Sentimento, a simpática velhinha orientou: - Agora é melhor você definir o seu destino. Não desista de respirar seus sonhos e desejos. Acredite neles! Continue acreditando na vida. Sempre haverá um novo sol. - É... A senhora tem razão. Vou partir para o um novo destino. Chega de sofrer. - Lembre-se que você procurou esta situação com as próprias mãos. - Novamente a senhora tem razão. - Ela sempre tem razão – falou o Bom Senso com um leve sorriso nos lábios. - Você acha certo o que você fez? Vir de tão longe para procurar alguém que está cercada e compromissada com o seu próprio espaço? - Minha nobre senhora, o sentimento não julga; não consegue alcançar na sua percepção o que é certo e o que é errado. E quando há alguma reflexão em mim, esta se manifesta fundamentada na busca e apenas no desejo de sentir prazer. O Bom Senso interfere: - Sentimento, você deve aperfeiçoar um pouco mais os seus critérios. Sentir prazer um direito de todo sentimento. Porém, pondere, analise antes de tomar uma decisão na sua caminhada. - Sim... O bondoso velhinho Bom senso continuou: - Vou te dar uma cápsula que vai ser um poderoso restaurador da sua bela existência. Ah!... Querida! Por favor, me passe aquele líquido poderoso. Agora, meu amigo Sentimento, abra bem a sua boca. Tome... - Como isto se chama? - Juízo – disse a Razão. - Ah!... Ao beber uma boa dose, o Sentimento mostra-se mais fortalecido. PARTE V A Razão aconselha: - Vou te dar este cantil. Leve este líquido que o meu marido deu a você. E beba-o sempre que for necessário. E não perca todo o juízo, viu? - Não quero perder este cantil, mas... A estrada é longa. Tem muitas armadilhas! Tem muitos atalhos, mas que levam às feras. O que eu faço? - Hummm... Você corre o risco de perder este líquido. Você tem alguma solução pra isto, minha querida esposa? - Tenho. Vou chamar a nossa aliada para ajudar o Sentimento. - Sim! Você tem razão! Ela, sim, é a solução para o Sentimento. Nisto a Razão olha pra cima. Dá um aceno para o alto como quem procura alguém. Lá entre as nuvens surge a sua melhor amiga que lhe dá um aceno. Em poucos instantes uma robusta Águia com olhar penetrante pousa ao lado da Razão. - Você me chamou amiga? - Sim! Quero te apresentar um novo amigo. A Águia cumprimenta o Sentimento, sem esconder suas penas exuberantes. - Olá! Como vai? - Muito prazer, dona Águia... - O prazer é todo meu! E pode me chamar de Espiritualidade. - Ah! Sim... Muito prazer, Espiritualidade. A Águia caminha mais pertinho do Sentimento e diz: - É... Parece que prazer é um assunto que você entende bem, não é? O Sentimento olha firme em seus olhos: - Espero que você não tenha vindo pra me dar um sermão... - Não! – interferiu a Razão – a Espiritualidade vai levar você ao seu destino, mas por outro caminho. Nesta estrada há muitas armadilhas, inimigos ocultos, setas noturnas. A Espiritualidade vai te livrar disto tudo. Apenas isto. - Ainda bem. Achei que ela veio só pra me dar uma lição de moral. A Espiritualidade olha com ternura para o Sentimento e diz: - Meu querido Sentimento, além de livrá-lo dos seus inimigos, não vou deslocá-lo do prazer. Ao contrário. Quero fazê-lo sentir um novo prazer. - É? Como? Onde? - O prazer do alto. - Prazer do alto?... Ah!... Acho que vai ser interessante... EPÍLOGO O Bom Senso interfere o diálogo: - Sentimento, é melhor você seguir logo a sua viagem. Já está ficando tarde. - Sim – disse a Espiritualidade – suba! - Subir? – pergunta o Sentimento. - Sim, suba em meu dorso, próximo à minha cabeça. Apóie-se em mim. - Sim!!!!!! Uaauuuu!!!... Que maravilha!!! - Agora vamos voar! O Bom Senso olhando a cena e com um sorriso suave diz ao Sentimento: - Você aprendeu a ter prazer no seu caminho. Agora você vai sentir o prazer no caminho do alto! - Mas... E vocês? A Águia diz: - Eles também vão conosco! Subam, amigos!! Nisto, a Espiritualidade já com as asas abertas, prontas para o vôo, a Razão sobe na extremidade de uma das asas e o Bom Senso também se ajeita na extremidade de outra asa. - Uúúúú!!!!!!!!!!!!! – Grita o Sentimento – vocês não podiam faltar nesta viagem!! - O que você está sentindo? – Pergunta a Razão. - Com todos vocês sinto que a minha viagem será gloriosa! - Esta viagem também tem um nome – afirma a Espiritualidade e já levantando o vôo com os três amigos bem acomodados. - Qual é o nome? – pergunta o Sentimento sem esconder a sua felicidade em já estar tão alto. A imponente Águia responde com firmeza: - O nome desta viagem é... Vida!! . . | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Linguagem 75: Jogo "Fato ou Fake"
-
*Jogo "Fato ou Fake" (verdadeiro ou falso)*
✅️❌️✅️❌️✅️❌️✅️❌️✅️
Este jogo foi montado inspirado na atividade realizada no curso de Formação
de Professor...
Há 15 horas
Olá,Flor do campo!
ResponderExcluirVim deixar meu carinho e também
um presentinho,meus Selinhos
"Primavera com Amor"espero
que goste:)um belo dia para você
beijoss fica com Deus!